Resenha “Vick”, de Anne Amorim.

VICK
Anne Amorin
Planeta Literário
180

Eu me chamo Vick. Não sei quem eu sou. Não conheço o meu passado, meu presente é horrível, e meu futuro é incerto.

Vick não se lembra de como foi parar na casa de Ivan. Seu passado, quem ela é ou qual é a sua família são incógnitas. A única coisa que tem certeza é de que seu presente é insuportável demais. Ela odeia o toque de Ivan e as coisas que é obrigada a fazer para continuar vivendo.

A sua única solução é fugir. Mas, para aonde?

Vick não tem dinheiro e não conhece ninguém que possa lhe ajudar. Mas qualquer coisa é melhor do que continuar no único lugar que ela conhece. Ela irá atrás de uma vida melhor e quem sabe encontrar o seu passado para tentar ter um futuro.

Será possível escapar de Ivan?

Conheça a história da Vick. Uma menina sem passado, com um presente cheio de monstros e um futuro incerto.

Chocante. Se eu fosse pular direto para a minha opinião pessoal para descrever esse livro, usaria essa única palavra para descrever: chocante. Entrarei em detalhes mais tarde (ou mais abaixo, se preferirem), mas por ora, digo que foi um choque. Um contraste e tanto com o livro da minha resenha anterior, Clichê, que era um romance bem água com açúcar. Em Vick, o buraco é bem mais embaixo. Vejamos o porquê:
Enredo

Vick tem uma vida horrível. Sequestrada ainda muito pequena, ela sofre todo o tipo de horror que uma pessoa normal não seria capaz de suportar: é torturada, física e psicologicamente, estuprada e privada de sua liberdade, sem poder sair do sítio isolado no meio do nada em que é encarcerada. Vick não tem o menor conhecimento do mundo além da sua prisão. Não sabe o que é bondade, gentileza, respeito, amizade e amor. Apenas possui uma ideia deturpada de tudo isso. Vick não se lembrada do seu passado, seu presente é terrível e seu futuro é incerto. Pelo menos, até surgir uma oportunidade de ouro em escapar. Escapar daquela prisão promiscua. Escapar do desgraçado do Ivan e seu odiável Joaquim. Ter uma nova vida.

 

Narrativa

Todo o livro é narrado em primeira pessoa e na maior parte do tempo, acompanhamos o desenrolar dos fatos pelo ponto de vista de Vick. Dos demais personagens, apenas pequenos trechos que nos dão uma outra perspectiva dos fatos, quando Vick não está onisciente na história.

 

Destaque

É um livro de linguagem dura, pesada e erótica. E achei ótimo a preocupação da editora em colocar classificação +18 na contra capa do livro. Não costumo ver esse tipo de classificação em livros com conteúdo violentos, mas no caso de Vick, o aviso é extremamente necessário.

 

 

Minha opinião

Já disse que o livro é chocante. Agora preciso explicar o porquê. Não apenas pela alta carga de erotismo na história. Ou na discrição visceral das cenas de sexo. É porque Vick aborda sem medo de ser polemico o tema que muitas pessoas relutam em debater ou querem fingir que está numa realidade distante de nós: o abuso sexual, estupro de menores de idade. Vick foi raptada perto de casa com apenas três anos de idade pelo execrável, nojento, desgraçado, canalha, filho da @#%* do Ivan e do seu igualmente odiável pai, Joaquim. E desde os 10 anos, começou a sofrer seus primeiros abusos. Assim que menstruou aos 12, como a sociedade pateticamente (pra não dizer outra coisa cujo horário não me permite) descreve como “virar mocinha”, foi forçada a fazer sexo com Ivan sem seu consentimento, em miúdos, estuprada. E a rotina de torturas começa firme a partir de desse ponto. Espancada, amarrada, amordaçada, abusada, ameaçada e espancada mais ainda, em um tenebroso ciclo vicioso. Não vou entrar em mais detalhes, até porque, o livro descreve em seus mínimos detalhes esse show de horror. É revoltante. Várias vezes, tive que para a leitura para respirar fundo e me acalmar, conter minha revolta. E isso foi nos primeiros capítulos.

Sim, nas suas poucas 180 páginas, a história segue um ritmo frenético, em que as coisas acontecem rápido demais. É quase surreal. No momento em que Vick consegue escapar do sítio, a sua vida dá uma guinada em 360° e sua sorte muda de uma hora para a outra. É bom para a personagem? Sim, claro! Meu Deus, pelo o que ela sofria presa naquele inferno… Mas para o enredo? Nem tanto assim. A rapidez com que os fatos de desenvolvem torna a história menos verossímil e um tanto difícil de digerir. Há um contraste nos personagens: Ivan e Joaquim são maus, perversos e sem caráter algum. Pessoas que Vick encontra na sua nova vida como Dona Ester, Líliam, William e Hugo são pessoas boas, carinhosas, compreensivas e de bom caráter. O bem e o mal separados e bem definidos. Um tanto quanto caricato.

Por outro lado, a personagem Vick é o retrato fiel a vítimas desse tipo de crime. Uma menina presa no corpo de uma mulher jovem demais para passar tanto sofrimento. Ela é inocente quando não sabe o que é um sebo de livros, mas é desconfiada quando recebe um abraço gentil e sincero. O sexo para ela é traumatizante, mas ao mesmo tempo, algo que se tornou banal, tanto que ela não sabe o que é amor e prazer. Uma garota de 18 anos que passou por coisas abomináveis, mas cuja mente possui a inocência de uma criança. E uma pessoa assim não faz parte do imaginário. Ela existe. Elas existem. É inevitável pensar nesse exato momento em que escrevo essa resenha quantas “Vicks” existem por aí, sofrendo horrores, sendo abusadas, sendo tratadas piores do que lixo. Quantos “Ivans” existem por aí à espreita, à espera de uma garota ou garoto indefeso e inocente, sem noção do perigo? Ivan também é o retrato fiel de um doente, um monstro da pior espécie. Os poucos trechos em que temos o desprazer do seu ponto de vista, vemos como esse cara é doentio e lunático, tratando Vick como propriedade sua e acreditando que ela a ama. E que a ama. É perturbador. E por mim, ele sofreu pouco, sem entrar em spoilers.

Vick é uma história forte e polêmica, com um conteúdo bastante pesado e violento. O próprio livro recomenda que menores de idade não o leiam e assino embaixo. Se você é uma pessoa que se impressionada fácil ou é muito sensível, esse tipo de leitura não é recomendável também. Apesar dos pesares, o livro não contém um desfecho cruel ou trágico, por isso, no geral, a história é boa. Achei muito interessante a autora ter abordado um assunto tão polêmico como pano de fundo para sua história, um crime tão antigo quanto a civilização e ainda há tantos casos assim não só no Brasil, como no mundo todo. Vick discute o cárcere privado e o estupro com todas as cartas na mesa, descrevendo uma realidade nua e crua que, infelizmente, não é distante da nossa. De ninguém. E poucas soluções são tomadas para resolver um crime antigo e muito grave. Leia, se for capaz.

 

Sinopse Oficial

Eu me chamo Vick. Não sei quem eu sou. Não conheço o meu passado, meu presente é horrível, e meu futuro é incerto.

Vick não se lembra de como foi parar na casa de Ivan. Seu passado, quem ela é ou qual é a sua família são incógnitas. A única coisa que tem certeza é de que seu presente é insuportável demais. Ela odeia o toque de Ivan e as coisas que é obrigada a fazer para continuar vivendo.

A sua única solução é fugir. Mas, para aonde?

Vick não tem dinheiro e não conhece ninguém que possa lhe ajudar. Mas qualquer coisa é melhor do que continuar no único lugar que ela conhece. Ela irá atrás de uma vida melhor e quem sabe encontrar o seu passado para tentar ter um futuro.

Será possível escapar de Ivan?

Conheça a história da Vick. Uma menina sem passado, com um presente cheio de monstros e um futuro incerto.

Vick

FICHA TÉCNICA:

NOME: VICKY
EDITORA: PLANETA LITERÁRIO
EDIÇÃO 2015
ISBN: 978-85-68292-08-2
AUTOR: ANNE AMORIM
PREÇO SUGERIDO: R$ 26,00

 

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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  • Bizarro Tainá. Adorei a resenha!

  • Dayse Ribeiro

    Que livro tensooooo. Parece que senti as dores da Vick só de ler sua resenha!

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