Resenha “Em Águas Sombrias” de Paula Hawkins

Em águas sombrias Book Cover Em águas sombrias
Paula Hawkins
Fiction
Editora Record
13 de April de 2017
420

Novo livro da autora do best-seller internacional A garota no trem. Com a mesma escrita frenética e a mesma noção precisa dos instintos humanos que cativaram milhões de leitores ao redor do mundo, Paula Hawkins nos presenteia com uma leitura vigorosa e que supera quaisquer expectativas, partindo das histórias que contamos sobre nosso passado e do poder que elas têm de destruir a vida que levamos no presente. Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã, Jules, que não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre. Mas ela está com medo. De seu passado há muito enterrado e por saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos...

Enredo

Beckford é uma pequena cidade na Inglaterra rodeada por rios. Não importa em que ponto da cidade esteja, o rio sempre estará presente. Assim como as sombrias histórias das mulheres mortas no Poço dos Afogamentos. As lendas vem a tona quando Nel Abbott, moradora da cidade que escrevia um livro sobre o Poço, é encontrada morta no mesmo cenário de suas historias. Meses antes dessa tragédia, a melhor amiga de sua filha também teve seu misterioso fim nas mesmas águas.

Com a chegada de Jules, irmã de Nel e da detetive Erin na cidade, a investigação desses dois casos de afogamento vão aos poucos se ligarem aos muito casos de mulheres encrenqueiras que pereceram nessas águas sombrias. E que suas mortes estão ligadas também a moradores ilustres de Beckford. Como a fluidez das águas de um rio, o mistério percorre diferentes caminhos e deságuam em um ponto bastante sombrios, revelamos segredos e escândalos ao longo de seu leito.

Narrativa

A história é contada do ponto de vista de vários personagens chave da trama. Não há uma ordem certa entre eles e alguns narram em primeira pessoa e outros tem o ponto de vista descritos em terceira pessoa.

Destaque

Em a Garota no Trem, a narrativa de uma personagem para a outra seguia como um trem que para em cada estação por um tempo determinado. Já Em Águas Sombrias, a narrativa flui como as águas de um rio, indo de um personagem para o outro, sem se demorar muito, revelando aos poucos as peças do quebra-cabeça. Se essa sacada foi intecional ou não da Paula Hawkins, é fato que é genial!!

Minha Opinião

Quando li A Garota no Trem, meu queixo caiu com o desfecho no final. Em Águas Sombrias, Paula não entrega os pontos e não perdoa o raciocínio dos leitores, nos surpreendendo a cada ponto de virada que a trama nos dá.

O livro é focado em vários personagens, alguns narrados em terceira pessoa, mas boa parte contam em primeira pessoa. Apesar de alguns personagens terem mais espaço no livro, como Jules, Lena, Erin e Sean, os demais não perdem sua importância no enredo, sendo pontos necessários para a trama andar.

Tudo começa com a chegada de Jules em Beckford, para o velório de sua irmã mais velha, Nel, que havia sido encontrada morta no famoso Poço dos Afogamentos. Nel estava escrevendo um livro sobre os muitos casos de afogamento no poço, desde o primeiro, que remete a época das caças as bruxas com Libby até o mais recente, com Katie, que por acaso era a melhor amiga de sua filha, Lena. A investigação de Nel estava incomodando muita gente na cidade, em especial Louisy, mãe de Kate.

Voltando para sua cidade natal muito a contra gosto, Jules não sabe como lidar com a memória da irmã que tanto a perturbava na infância e nem com a truculência de sua sobrinha Lena, que parece está escondendo alguma coisa dos investigadores, mas se recusa a falar. E quanto mais tempo perto do rio, mas o passaso sombrio de Jules vem a tona.

Meu autógrafo suado que consegui na Bienal 2017!

O outro núcleo do enredo que vale destacar são os dos investigadores. Erin é uma detetive da capital, que por desvios de conduta, é transferida para Beckford para ajudar nos casos misteriosos de afogamento. Seu parceiro é Sean Townsend, delegado da região e filho de Patrick, patriarca da família mais conhecida da cidade. Como uma policial de fora, Erin logo percebe que relações estreitas dos moradores da cidade serão um empecilho na investigação, ainda mais quando surgem indícios que a família de Sean esteja envolvida com os últimos casos.

Como disse no destaque, o ritmo da narrativa é fluido como um rio de vários braços que envolvem todos os personagens, os intercalando cada vez mais a medida que o clímax da trama vai se estreitando. E como num rio misterioso, as águas podem ser muito sombrias, mas revelam segredos assustadores a quem ousar desbravar. Na Bienal, tive o prazer de ver a autora bem de perto e a platéia fez essa observação do ritmo da trama parecer um rio. Paula, surpresa com a perspicácia do público, não confirmou se tal sacada foi ou não intecional, mas ficou satisfeita com a reação dos fãs com o seu livro. Que mulher incrível!

Porém, em A Garota no Trem, temos a revelação do mistério bem no final do livro, criando um desfecho complatamente imprevisível, Em Águas Sombrias, do meio pro final, já temos uma ideia de como os casos aconteceram. Não deixa de surpreender no final, até porque o real responsável de pela morte de Nel é revelado bem nas últimas páginas após várias reviravoltas, mas não foi tão imprevisível quanto A Garota no Trem. Claro que isso não diminui a qualidade de Em Águas Sombrias, que não tem nenhum vínculo com o primeiro romance de Paula, mas como se tratam de livros da mesma autora e de mesmo gênero também, comparações são inevitáveis.

Mesmo Em Águas Sombrias tendo personagens masculinos, o forte do livro são suas personagens femininas, cada uma carregando um fardo e estigmas. Temos a mulher com um passado traumático, a garota rebelde, a policial que teve sua vida profissional interferida por questões pessoais, a dona de casa que perdeu uma filha e quer caçar os culpados e a mulher recatada e submissa. Todas estão ligadas na trama. E sem falar de todas as vítimas do Poço dos Afogamentos, todas mulheres que incomodaram os brios de uma sociedade conservadora e mesmo tendo um fim nas águas de Beckford, deixaram suas marcas pra sempre na cidade e assombrando seus moradores.

Um sensacional thriller psicológico que nos intriga até o final, com mulheres encrenqueiras que resistem até o fim contra os monstros da sociedade. Um prato cheio pra quem ama o gênero!

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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  • Adorei a resenha, curti muito A Garota do Trem, vou colocar na lista esse também.

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