Resenha “As Sete Irmãs – A História de Maya”, de Lucinda Riley.

As sete irmãs Book Cover As sete irmãs
Lucinda Riley
Fiction
Editora Arqueiro
16 de August de 2016
480

Filha mais velha do enigmático Pa Salt, Maia D’Aplièse sempre levou uma vida calma e confortável na isolada casa da família às margens do lago Léman, na Suíça. Ao receber a notícia de que seu pai – que adotou Maia e suas cinco irmãs em recantos distantes do mundo – morreu, ela vê seu universo de segurança desaparecer. Antes de partir, no entanto, Pa Salt deixou para as seis filhas dicas sobre o passado de cada uma. Abalada pela morte do pai e pelo reaparecimento súbito de um antigo namorado, Maia decide seguir as pistas de sua verdadeira origem – uma carta, coordenadas geográficas e um ladrilho de pedra-sabão –, que a fazem viajar para o Rio de Janeiro. Lá ela se envolve com a atmosfera sensual da cidade e descobre que sua vida está ligada a uma comovente e trágica história de amor que teve como cenário a Paris da belle époque e a construção do Cristo Redentor. E, enquanto investiga seus ancestrais, Maia tem a chance de enfrentar os erros do passado – e, quem sabe, se entregar a um novo amor.

Enredo

Maia D´Aplièse é a mais velha das seis filhas adotivas de Pa Salt, um homem muito rico e generoso que sempre deu muito amor e carinho para suas filhas. Após sua súbita morte, Maya, que era sua filha mais próxima e devotada, reúne suas irmãs e na leitura do testamento, descobrem que Pa Salt deixara para cada filha uma carta e coordenadas dos lugares em que nasceram, para que cada uma pudesse buscar sua origem.

Ainda muito abalada com a morte de seu pai, Maya lê sua carta e descobre que as coordenadas a levam a uma antiga casa de família no Rio de Janeiro. Mesmo apreensiva com o que está por vir, Maya finalmente saí de sua rotinha reclusa para descobrir suas origens no Brasil. Lá, ela desvenda pistas que a ligam com Izabel Aires Cabral, uma mulher da elite carioca, que viveu durante o fim do império do café no Brasil, a construção do Cristo Redentor e um amor proibido na belle époque de Paris. Quanto mais descobre sobre a vida de sua antepassada, Maya percebe que ela e Izabel tem muito mais em comum do que uma ligação sanguínea.

Narrativa

O livro é divido na visão de Maya e de Izabel. Quando o foco é em Maya, a narração é feita em primeira pessoa, se passando no ano de 2007. Nas partes de Izabel, a narrativa passa para a terceira pessoa, com o cenário de fundo sendo o fim da década de 20.

 

Destaque

Lucinda Riley é uma autora irlandesa naturalizada na Inglaterra, mas no primeiro volume da sua série As Sete Irmãs, conseguiu ambientar muito bem boa parte da história no Rio de Janeiro. Dos poucos livros estrangeiros que citam o Brasil ou que há pequenos trechos que se passam no país, a ambientação muito superficial e cheia de estereótipos. Mas não no caso de Lucinda! É notável sua preocupação em retratar o cenário carioca durante a década de 20, em que começa a crise do café e a construção do maior cartão postal da cidade, o Cristo Redentor!

Um começo épico. Ansiosa para saber ser os demais livros são tão surpreendentes!!

 

Minha Opinião

Uma palavra para descrever esse livro: surpreendente!

O primeiro volume da série As Sete Irmãs se mostrou uma ótima introdução para a saga, que nos dá a impressão de ser muito promissora e gostosa de acompanhar. É uma série que envolve mistério, ambientações diferenças, em épocas diferentes, romances emocionantes e segredos a serem desvendados surpreendentes.

Pelo menos, é o que o primeiro livro, a História de Maya, nos oferece. Focado na primeira irmã, Maya, o livro dá uma introdução geral da história. Pa Salt, um misterioso milionário suíço, mas um pai amoroso com suas seis filhas adotadas, morre subitamente e deixa para cada filha uma carta, coordenadas de um certo do lugar do mundo e um objeto ligada a origem de cada menina. Agora cabem a cada uma buscar suas origens e desvendar o que levou seus parentes de sangue as deixarem na adoção.

Filha mais velha de Pa Salt e sua filha mais devotada, Maya é a primeira a partir em busca de seu passado e a protagonista desse livro. Das irmãs, Maya é a mais caseira e como mais velha, ajudou Pa Salt  e sua tutora Marina a criar suas irmãs mais nova, mas do contrário delas, quando adulta, jamais desejou desbravar o mundo. Preferiu morar perto de seu pai e a trabalhar como tradutora de livros.

Mas quando seu pai adotivo morre e lhe deixa pistas sobre sua origem, Maya percebe que é hora de dar um grande salto na sua vida. Não apenas por isso, mas sente que ao desvendar sua origem, terá uma fuga do luto por seu pai e também de um triste acontecimento em sua adolescência. A carta, as coordenadas e um pequeno pedaço de ladrilho com palavras que ela não consegue desvendar, a levam para o Rio de Janeiro, no Brasil.

Lá, com a ajuda de Floriano, um escritor carioca no qual Maya já trabalhou traduzindo seus livros, ela descobre que as coordenadas são de mansão chamada a Casa das Orquídeas, na tradicional da Zona Sul da cidade. Segundo Floriano, a cada pertence à família Aires Cabral, que possuía linhagem nobre e era uma das mais importantes da cidade. Incialmente, a moradora da casa, Beatriz Aires Cabral, uma idosa já no fim da vida não deseja ver Maya. Porém, Yara, cuidadora de Beatriz, dá algumas cartas a Maya, dizendo que aquilo era grande segredo da família.

Com as cartas, somos levados para os anos 20, na vida de Izabel Bonifácio, mãe de Beatriz e antepassada de Maya. A bela Izabel era filha de um ambicioso produtor de café italiano, que construí sua fortuna do zero e apesar de ser muito rico, almeja fazer parte da tradicional elite portuguesa, que apesar da decadência financeira, ainda domina a classe mais alta do país. Para isso oferece a mão se sua única filha ao herdeiro da família Aires Cabral, poderosa somente pela linhagem nobre.

Izabel se vê então com 18 anos, prometida a homem que não ama, mesmo ele sendo muito carinho e gentil com ela. Porém, antes de ficar amarrada para sempre em um casamento por conveniência, Izabel ganha a oportunidade de viajar para Paris, onde poderá ter um pouco liberdade no Velho Mundo. Ela viaja com a família Silva Costa, amigos de seus pais, cujo o patriarca, Heitor da Silva Costa é nada mais, nada menos, que o arquiteto do Cristo Redentor, que viaja para a Europa para buscar um escultor que dará forma a estátua.

Em Paris, Heitor se encanta pelo trabalho de Paul Landowski, escultor especializado em Art Deco e o escolhe para esculpir seu cristo. Já Izabel se encanta por Laurent Brouilly, assiste de Landowski e o primeiro homem em que ela finalmente desperta uma paixão. Agora Izabel se vê dividida entre voltar para o Brasil, para uma sociedade tradicional e conservadora, onde se casará com um homem que não ama para orgulhar seus pais ou ficar em Paris e viver um grande amor com um homem que ama e é reciproco.

A história de divide entre o presente e o passado, com Maya e Izabel tendo que aprender a como conviver com seus dilemas e as consequências de suas escolhas. As duas partes são bastantes intricadas e instigantes. Quando começas a engatar na história de Izabel de vez, fica impossível de largar o livro. Como disse no destaque, a ambientação que Lucinda escreveu no Brasil ficou muito fiel e é notável o cuidado em que autora teve em pesquisar para criar um cenário verossímil com o Rio de Janeiro da década 20. O pano de fundo da vida de Izabel retrata a elite brasileira do café no começo do seu declínio, a nobreza brasileira que se sustentava apenas pela força do sobrenome, uma leve pincelada do movimento feminista lutando por espaço na política e claro, um pouco dos bastidores da criação do Cristo Redentor. Lucinda conseguiu amarrar muito bem duas figuras histórias, Silva Costa e Landowski, aos personagens fictícios.

As Sete Irmãs – A História de Maya é um ótimo começo para série. A narrativa prende, toda a trama é muito bem construída e nos dá vontade de ler até o fim, para saber qual a exata ligação de Maya e Izabel. Mesmo a história dessa ultima cair no clichê do amor proibido, sua parte foi o que mais gostei no livro, ainda mais por causa de sua ambientação. Lucinda Ridley, você conquistou mais uma fã! Ainda não li os outros livros, mas A História de Maya é o meu preferido e com certeza quero ler os próximos.

Se você prestou atenção na resenha, deve ter reparado que Pa Salt teve seis filhas adotadas, mesmo a série se chamando As Sete Irmãs, certo? Pois é, esse é o grande mistério de toda a série. Pa Salt nomeou suas filhas com os nomes das estrelas de sua constelação favorita, o Aglomerado das Plêiades, que possui sete estrelas: Maya, Alcíone, Astérope, Celeno, Taígeta, Electra e Mérope. As demais irmãs de Maya possuem nomes iguais as essas estrelas, menos Mérope, que segundo Pa Salt, foi a única filha que ele não encontrou. O que será que isso quer dizer? Será que nos demais livros da série teremos mais pistas dessa última irmã misteriosa? Só lendo pra saber!

Essa é a sequência das irmãs. No final desse livro, há o prólogo do A Irmã da Tempestade, focado em Ally.

Para quem ficou curioso com a história, a autora tem um site oficial em que explica mais sobre as inspirações para sua série. Além de ser muito interessante de ler e para complementar a história, o site ainda tem uma versão em português brasileiro! Se gostarem do livro, vão lá conferir: http://br.lucindariley.co.uk/

A maravilhosa Lucinda Ridley!

E resta ainda alguma dúvida que esse livro está mais do que recomendado??

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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