Precisamos falar sobre xenofobia: A confusão entre Coréia e Brasil e porque isso nos afeta tanto

Oi gente, tudo bom? Certamente todo mundo envolvido no mundo de cultura coreana (principalmente K-pop e K-dramas) ouviu falar esses dias sobre a confusão pela aparição do grupo KARD no programa do Raul Gil e a atitude dele que acabou gerando uma guerra imensa entre os fãs brasileiros e os coreanos certo? Vocês podem ver um pouco mais sobre isso na matéria que uma colega minha escreveu sobre, mas como eu acho esse um assunto muito importante  hoje vim aqui discutir um pouco com vocês sobre xenofobia não apenas na Coréia mas nos países asiáticos em geral.

Segundo o dicionário a palavra xenofobia quer dizer

“desconfiança, temor ou antipatia por pessoas estranhas ao meio daquele que as ajuíza, ou pelo que é incomum ou vem de fora do país; xenofobismo”

 mas o que isso tem a ver com a gente não é? Antes de mais nada vou esclarecer que eu não estou aqui pra defender nenhum dos lados, apenas pra esclarecer um pouco meu ponto de vista e tentar entender um pouco os outros também.

Vamos começar com o tema principal que deu origem a isso, a apresentação do KARD. O ato considerado xenofóbico aqui foi o apresentador em tom de brincadeira falar que os integrantes do grupo precisavam “abrir os olhos” e imitar um sotaque japonês. Eu não vou falar aqui que não foi errado, eu não tenho autoridade nenhuma pra dizer com o que um grupo ou não deve se sentir ofendido (especialmente um do qual não faço parte), mas acho que todo esse escândalo foi um certo exagero por parte da mídia e da internet. Eu não assisto mais televisão, mas todos temos acompanhado mesmo que pela internet as recentes gafes cometidas por apresentadores antigos como o Silvio Santos, Raul Gil ou o Faustão que, por trabalharem na TV a muitos anos e crescerem numa sociedade extremamente machista e misógina, não estão tão acostumados à nova onda do politicamente correto (não estou falando de forma pejorativa, apenas para ilustrar) e ainda não conseguiram se adaptar aos novos tempos. Reitero aqui que eu não estou defendendo a atitude deles, mas quem não tem um avô, avó ou pai que, sendo criado numa sociedade completamente diferente da nossa, não cometeria um erro como esses, às vezes sem querer?  É claro que, a partir do momento em que um comentário ofende alguém por sua raça, etnia, cor ou credo é errado, mas quando não se há um roteiro pré-estabelecido é um tipo de erro muito fácil de ser cometido, cabendo (na minha humilde opinião) um pedido de desculpas, como foi oferecido rapidamente pela própria emissora e pelos diretores do programa. Eu conseguiria imaginar o meu pai fazendo uma piada do tipo (essas piadas de tio do pavê), até chegar alguém pra ele e dizer que é errado, mas eu não to aqui pra roubar lugar de fala de ninguém, por isso vou deixar apenas essa reportagem sobre o preconceito que os asiáticos sofrem no Brasil (que já está um pouco enraizado na cultura), e quem sabe, quanto mais a gente conscientizar as pessoas, mais elas deixem de (intencionalmente ou não) ofender os amiguinhos né? ^^

Pra resumir um pouco a treta, Raul Gil foi xenofóbico (intencionalmente ou não não interessa aqui), alguns coreanos responderam com mais xenofobia e brasileiros rebateram, tudo virou uma grande disputa que, ao invés de pedidos de desculpas apenas se transformou numa troca gratuita de ofensas, o que acaba não sendo bom pra ninguém, confesso que achei muitas coisas engraçadas na #DoYouWantKorea, mas me deixou triste ver muitos comentários de teor ofensivo, e é por isso que eu vim aqui falar hoje.

 

Tem como não se sentir ofendido com todo nosso país sendo absolutamente humilhado dessa forma? Macacos, nugu, não temos nada de bom a não ser futebol… really? #dissapointedbutnotsurprised

 

Outro assunto que deu muito o que falar e que entra aqui no assunto xenofobia foi o caso do modelo Han Hyun-Min, filho de uma mulher coreana e um pai nigeriano, que acabou se tornando o primeiro modelo negro da Coréia do Sul.

 

 

Em meio a muitos comentários felizes (cof cof inclusive os meus cof cof) infelizmente sempre surgem aqueles que a gente fica triste em observar, e um dos que mais me chocou foi o de um cara falando que ele dizer que sofria preconceito era mimimi, que vocês vão ver aí embaixo embora eu seja obrigada a esconder a cara e o nome da pessoa por motivos…

 

 

Vocês podem me perguntar porque precisamos falar sobre isso, e por isso eu trago uns números pra vocês não acharem que eu to inventando coisas da minha cabeça.

Segundo uma pesquisa do Ministério de Igualdade de Gênero e família, 32% dos coreanos não gostariam de ter um estrangeiro como vizinho (1 em cada 3 coreanos). Em 2013 o Washington Post fez uma pesquisa sobre os países mais e menos receptivos aos estrangeiros e a Coréia do Sul apareceu como um dos piores, e não é raro vermos alguma confusão por causa de comentários xenofóbicos feitos por apresentadores e artistas coreanos, mas eu me pergunto, porque alguém diminuiria uma pessoa que enfrentou preconceito durante toda a sua vida? O que nos falta é amor, empatia ou respeito? Esse modelo Han Hyun Min disse em uma entrevista que as pessoas já o pararam na rua e o mandaram ir embora e voltar para o seu país, gente, o que leva alguém a fazer isso? Num país tão famoso por fazer whitewashing em seus idols e onde apenas 2% da população é imigrante, sendo uns dos campeões em taxas de suicídio, não é um pouco de hipocrisia criar uma grande confusão e culpar um país inteiro pela atitude de uma só pessoa? Atitude que eles reproduzem em seus programas de variedades praticamente todos os dias?

Isso não ausenta o Brasil de culpa, é claro. Somos sim um país racista e talvez tão xenófobo quanto a Coréia (como país é uma verdade inegável, mas não como indivíduos), todos vemos todos os dias nossa população (especialmente negra) ser dizimada nas ruas, excluída da política e da sociedade, e no fundo todos somos culpados, mas na minha humilde opinião, seja no Brasil ou na Coréia, a única mudança que pode acontecer só vai acontecer se ao invés de apenas apontar o dedo a cada vez que outra pessoa tiver uma atitude errada, começarmos a olhar e mudar nas atitudes do nosso dia à dia, buscando cada vez mais união e respeito e menos julgamentos.

Eu planejava falar um pouco sobre a representatividade asiática na nossa cultura e sobre como nós também somos xenófobos em muitos aspectos e isso acaba afetando a vida diária de milhares de pessoas mas a matéria tomou um rumo diferente por isso peço desculpas, digo mais uma vez que essa matéria se trata apenas de uma opinião pessoal sobre um assunto e que, claro, gostaria de ouvir a opinião de vocês pra gente discutir um pouco sobre tudo isso, estou sempre aberta à comentários e sugestões, e peço desculpas por hoje não falar nada sobre doramas, mas como 90% das pessoas interessadas em doramas também se interessam pela cultura asiática achei que seria interessante trazer isso pra vocês. Desculpem pela matéria gigante e obrigado pela atenção pessoas <3

Laura Amorim

Laura Helena, 19 anos, estudante de Artes e Design na UFJF, apaixonada por livros, animes, mangás, doramas, kpop, Owl City, cachorros e desenhos (:

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