Especial Bienal do Livro Rio 2017: Prêmio Kindle de Literatura e entrevista com Gisele Mirabai

No primeiro dia de Bienal do livro, o estande da Amazon no Pavilhão Verde brindou os visitantes com um bate-papo entre os autores Edson Soares e Gisele Mirabai, finalistas do 1º Prêmio Kindle de Literatura, sendo que a grande vencedora da primeira edição do concurso foi Gisele e seu livro, “Machamba”.

O primeiro dia de Bienal no estande da Amazon foi com um bate-papo entreve os finalistas da primeira edição do Prêmio Kindle de Literatura

No encontro, os dois escritores contaram como foram o começo de suas carreiras literárias e como o Kindle Direct Publishing (KDP), a plataforma de autopublicação da Amazon, foi um grande diferencial em suas vidas de escritor. Edson Soares, que concorreu com seu romance “Os últimos passos do enforcado”, contou como é difícil ser um autor independente no mercado literário, em que é preciso desembolsar uma boa quantia em dinheiro para publicar seus livros e ainda ter que promove-los por conta própria. O KDP então foi uma ferramenta bastante essencial para o surgimento de mais autores independentes e dos mais variados tipos de livros na plataforma da Amazon.

Os finalistas da primeira edição do Prêmio Kindle: Edson Soares (Os últimos passos do enforcado) e Gisele Mirabai (Machamba)

O Prêmio Kindle de Literatura é uma parceria entre a Amazon e a editora Nova Fronteira. Neste ano, começa a sua segunda edição, que dará ao ganhador um prêmio de 30 mil reais e o direito de ter seu romance impresso pela Nova Fronteira. Para participar, é preciso ser residente do Brasil e ter mais de 18 anos (menores de idade devem ser representados pelos responsáveis legais). O romance, inédito e escrito em português, deve ser publicado em formato digital na KDP do dia 1 de agosto de 2017 a 31 de outubro de 2017. As obras concorrentes devem ter a hashtag #premiokindle no campo das palavras-chaves durante a publicação. Romances relacionados a outros autores ou que fazem parte de uma série não podem concorrer ao prêmio.

A ganhadora da primeira edição, anunciada em janeiro desse ano, foi a mineira Gisele Mirabai. Além de escritora, Gisele é atriz e roteirista e autora do livro Guerreiras de Gaia, livro juvenil que é adotado como paradidático em várias escolas do Brasil. Seu primeiro romance, “Machamba”, o que lhe deu a vitória no Prêmio Kindle de Literatura, foi escrito graças a Bolsa Funarte de Criação Literária. Tive o prazer de entrevista-la logo após o fim do bate-papo:

Gisele falando sobre seu livro ganhador, Machamba

– Gisele, quando foi que começou o seu desejo de se tornar escritora?

Então, na minha época, e não sou tão velha assim! (Risos) Não existia ainda o Harry Potter, então eu acho que o Harry Potter causou uma revolução, por despertar nos jovens esse desejo de ser escritor. Quando eu era jovem, que eu me lembre, nem existia essa opção. Os livros que a gente normalmente lia eram clássicos de autores que já tinham falecido ou então, no máximo, os gibis da Turma da Mônica do Maurício de Souza. Então não existia esse desejo de ser escritor. Para ser sincera, nem sabia de isso podia existir. Então, quando eu tinha por volta de uns 19 anos, eu já gostava muito de escrever e escrevi o meu primeiro livro, “Como se Come uma Árvore”. É um livro de contos que nunca foi publicado. A partir daí, eu me tornei escritora, eu nunca sonhei. Na verdade, foi a prática do dia-a-dia, a alegria de escrever, de estar os leitores, de ir nas escolas com os meus livros infanto-juvenis… isso que me tornou escritora!

– E como você conheceu a Amazon?

Bom, em 2011 ou 2012, eu já tinha publicado meus livros por editoras (eu já tinha três livros na época) e o meu marido me chamou e disse “olha isso aqui, isso vai mudar a sua vida!” e era um vídeo do KDP explicando como publicar seu próprio livro. E por quê ele disse isso? Como ele estava comigo, ele já sabia como era a vida de um escritor, que é tomar “não”, né? (Risos) A vida do escritor é você tomar um “não” e depois outro “não” e a possibilidade de saber que eu poderia publicar meus próprios livros, isso realmente abriu um mundo novo, mas até eu ganhar o prêmio, eu ainda não sabia como era esse mundo. Eu já tinha subido o meu livro, Guerreiras de Gaia, para a plataforma, mas só o Machamba é que me trouxe a real noção em que você pode vender seus livros lá, ganhar dinheiro, ver quantas pessoas leram e ter um contato direto com o leitor. E isso foi revolucionário para mim porque eu acho que ele (KDP) dá ao escritor o que ele mais precisa: que é a autonomia.

– E como você define sua vida antes da Amazon e depois da Amazon?

Foi realmente um divisor de águas. Só que eu falo que mais que um divisor de águas, isso foi uma ponte. O que eu sinto é que muitas pessoas que não conhecem o universo KDP, que não sabem que podem publicar seu próprio livro, passaram a me procurar. E ao mesmo tempo, tenho amigos que são escritores consagrados, que publicam em editoras grandes, são pessoas que não conheciam o KDP e passaram a se interessar também. No caso delas, por terem mais liberdade, mais velocidade, não por elas terem editores. Então eu sinto que é uma ponte entre quem está começando, entre quem está consagrado, é uma ponte entre o digital e o impresso. É ver que é possível que esses mundos coexistam, sabe? Para mim, foi maravilhoso, principalmente o contato com os leitores. Através do prêmio, muitas pessoas vieram falar comigo. Tem ele (ela indica um fã que esperava para falar com ela) que leu o Machamba e viu que eu estaria aqui e que veio falar comigo. Isso acontece muito. Sempre que estou em eventos, tem gente que leu o livro na Amazon, me acompanha nas Redes Sociais e vai me encontrar. Então esse contato com o leitor foi o maior prêmio que eu tive.

Gisele Mirabai

– E por quê você escolheu esse romance, o Machamba, para disputar o Prêmio Kindle?

Boa pergunta essa. Eu vi no edital do prêmio que no Kindle você pode subir qualquer gênero de literatura, mas a Nova Fronteira não. A Nova Fronteira é uma editora que tem um perfil editorial. São livros clássicos. E como eu tinha trabalhando muito o Machamba, lapidado a linguagem dele, cada virgula tem um motivo de ser, eu sabia que era um livro para uma editora que teria cuidado. Foi o fato da Amazon ter se juntado com a Nova Fronteira que me fez colocar o livro ali, me fez sentir que era ali que ele podia encontrar o lugar dele, que até então, não havia encontrado.

– E qual a sua principal dica para quem quer publicar o seu livro, que ainda não conseguiu publicar a sua história, mas está querendo publicar na Amazon? (Tipo eu, XD)

Você perguntou sobre quem está querendo terminar sua história, né. Eu vou a muitas escolas e os alunos sempre me fazem a mesma pergunta: “ai, Gisele, o livro está todo pronto na minha cabeça, mas quando quero colocar no papel, não consigo!”. E eu sempre falo para eles que o principal para ser escritor é mais do que talento. Talento também, mas é a disciplina. E é sentar lá e escrever, mesmo que não seja diretamente para o livro. Seja escrever por escrever mesmo. Escrever sobre esse momento aqui, como você se sentiu. Escrever desabafando. O fato de sentar para escrever vai estimulando o seu canal criativo e quando você ver, o resto do livro sai. A disciplina é fundamental. Depois da disciplina, eu indico mostrar para leitores críticos, não um crítico que vai detonar, (risos) um crítico construtivo. Porque as vezes é bom do que colocar direto para o leitor. E quando você estiver seguro da sua obra, sobe para a Amazon e começa a conversar direto com seus escritores!

Selfie com a Gisele e Vanessa Fiorio (Parceira do nosso site)!!

O que acharam das dicas da Gisele? Quer publicar seu livro? Então não perca mais tempo!

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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