Especial Bienal do Livro Rio 2017: Paula Hawkins no Brasil!!!

O terceiro dia de Bienal trouxe uma ilustre e muito aguardada surpresa: a escritora britânica Paula Hawkins, autora do best-seller “A Garota no Trem” e também “Em Águas Sombrias”, sua obra mais recente. Ambos os livros são publicados no Brasil pela Editora Record e o primeiro já teve a sua adaptação para os cinemas.

Paula já chegou chegando, sendo chamada até de Queen!

Com a apresentação da autora Frini Georgakopoulos (“Sou Fã! E Agora?”), Paula entrou no auditório Madureira sob aplausos e delírios dos fãs, tanto, que a autora até se surpreendeu, inclusive com o grito de “QUEEN!” logo no fim dos aplausos. No palco, uma tela exibia a tradução das falas de Paula durante todo o bate-papo.

A autora de “Sou Fã! E agora?” mediou o bate-papo com Paula

Paula começou falando de sua origem como escritora. Nascida na Nova Zelândia, ela se mudou com seus pais ainda muito pequena para Inglaterra, onde mora atualmente. Formada em jornalismo, Paula exerceu a profissão durante 15 anos, escrevendo para a área de economia, para a grande surpresa do público. Mas a escrita sempre esteve presente em toda sua vida. Foi após longos anos de carreira que decidiu escrever seu primeiro livro, A Garota no Trem. Para uma estreante na literatura, Paula atingiu logo o sucesso: seu primeiro livro tem mais 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo!

Quando perguntada sobre suas inspirações na literatura, Paula respondeu que são vários autores e obras para ela lembrar ali no momento, mas que sem sombra de dúvida sua maior inspiração para seus romances foi a obra de Agatha Christie, a grande Dama do Crime. Outro livro que a inspirou foi Garota Exemplar, de Gillian Flynn, mas Paula disse que odeia esse tipo de pergunta, pois ela ama um monte de livros e nunca consegue se lembrar de quantos lhe servirão de inspiração (risos). Ela também revelou que se inspira muito em mulheres fortes, tanto da literatura quanto da realidade. Frini perguntou e Paula respondeu logo de imediato: ela é feminista sim! E com orgulho!

Um telão traduzia tudo o que Paula falava, mas com um pouco de delay.

Frini também aproveitou para perguntar como ela se sentia em relação ao machismo dentro da literatura, ainda mais no caso de Paula, que escreve thriller psicológico, uma área predominada por escritores homens. Ela afirmou que como mulher, luta diariamente para ocupar seu espaço e que a literatura é um espaço libertador, onde toda mulher pode encontrar sua voz e sua força. Em tom de brincadeira, Paula conta que é uma “encrenqueira”. Tanto, que seu segundo livro “Em Águas Sombrias”, a autora dedica a obra a todas as mulheres “encrenqueiras” como ela. Mais aplausos da plateia.

Outro ponto bastante comentado no bate-papo, foi a adaptação cinematográfica de A Garota no Trem, um dos poucos filmes baseados em livros que se manteve bastante fiel. Paula disse que foi uma honra ter um livro seu adaptado para as telonas e que teve a oportunidade de acompanhou a produção do filme bem de perto. E para o grande delírio dos fãs, ela confirmou que o a adaptação de Em Águas Sombrias já está em pré-produção!

Na hora das perguntas da plateia, o público se concentrou mais no modo de como Paula escreve suas tramas. Muitos queriam saber qual foi sua inspiração para o enredo de A Garota no Trem e também da personagem principal, Rachel. A autora explicou que o cenário em que a história se passa foi inspirado nas suas viagens diárias de trem de sua casa para o trabalho, logo de manhã bem cedo, e vice-versa, quando voltava para sua casa no final do dia. Assim como sua personagem Rachel, Paula confessou que costuma beber bastante (risos), mas não ao ponto de ser uma alcoólica! Piadas a parte, Paula disse que uma característica que compartilha com Rachel é sua capacidade de observação e também de divagar por horas a fio.

Os fãs não pouparam perguntas. Algumas nem Paula esperava!

Sobre a composição de suas personagens, a maioria feminina, a autora disse que procurou criar mulheres bastante reais, tão intensas que suas leitoras (e leitores) poderiam se identificar com essas. Como a narrativa é em primeira pessoa, Paula admitiu que o processo de escrever sobra cada personagem, como se estivesse encarnando uma de cada vez, foi bem cansativo mentalmente. Tinha vezes que ela queria simplesmente largar tudo e ver TV. Mas que o resultado final a deixou muito satisfeita.

A serenidade no olhar de quem nos faz virar a noite com os seus livros…

Alguns fãs observaram que a narrativa dos dois livros de Paula tem suas particularidades: em A Garota do Trem, cujos os capítulos são narrados por uma personagem diferente, é como se em cada parte do livro, a narrativa “estacionasse” no foco das três personagens e seguisse uma linha linear. Como um trem que para em cada estação. E Em Águas Profundas, que tem vários personagens e narrativa alterna entre a primeira e terceira pessoa, o desenrolar é mais “fluido” indo do foco de um personagem para o outro, como as águas de um lago. Se isso foi uma sacada dos fãs ou da própria autora, Paula preferiu não afirmar e nem negar as teorias. E você, que algum desses livros, o que acha?

Tive uma oportunidade de fazer uma pergunta a ela: como Paula se sentiu enquanto escrevia como se fosse as personagens de suas histórias? Será que a autora passava seus sentimentos para suas criações ou suas personagens chegavam a influenciar a autora de certo modo? Pensando um pouco, Paula me respondeu que o processo para criar psicológico de cada personagem não foi nada fácil. Realmente, as vezes se sentia mal com as situações que Megan, por exemplo, passava. Ás vezes, se assustava com rumos que suas histórias tomavam! (risos). Mas afirmou que o importante foi se manter focada e passar o máximo de verossimilhança possível em seus livros.

Após o termino do bate-papo, Paula foi para a Praça Copacabana, para autografar os livros dos fãs. Foi quase duas hora se espera na fila, mas consegui ter meus exemplares de A Garota no Trem e Em Águas Profundas autografados pela diva e ainda consegui arranhar um pouco do meu inglês atravessado com Paula! E ela é incrível!!

Um amorzinho de pessoa a Paula!! Eu to rindo na foto, mas tava quase desmaiando…

 

 

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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