Especial Bienal 2017: resenha “Fabulas Ferais”, de Ana Cristina Rodrigues + Entrevista com a autora!

FABULAS FERAIS Book Cover FABULAS FERAIS
Ana Cristina Rodrigues
Fantasia
Arte & Letra
2017
13 x 18,7
88

As histórias contadas neste livro falam sobre os habitantes de Shangri-lá, cidade das feras e lar das bestas. Um lugar mágico e belo, mas que em seu horizonte esta sempre a ameaça da guerra. Falam sobre Íbis, Maya, Lori e tantos outros que nos encantam com suas conquistas e perdas. Com uma escrita delicada, porém contundente, Ana Cristina nos leva para um universo incrível onde animais se unem, apesar das diferenças, para se proteger contra os humanos e suas tentativas de destruir Shangri-lá.

Enredo

Fábulas Ferais se passa na misteriosa Shangri-lá, a Cidade das Feras e Lar das Bestas, onde animais dotados de fala convivem no mesmo espaço, após anos de guerras entre si. Uma vez com a paz entre as feras alcançada, agora os habitantes de Shangri-lá a protegem dos implacáveis humanos. No livro, teremos histórias da fundação da Cidade das Feras, desde seu conturbado começo até o seu apogeu.

Narrativa

Cada capítulo do livro mostra o ponto de vista de personagens diferentes. A maioria é narrada em primeira pessoa, enquanto os demais são narrados em terceira pessoa. Os personagens são feras e animais, mais são completamente humanizados.

Destaque

Fábulas Ferais é um prequel para Atlas Geográfico de Lugares Imaginários, possuindo trechos deste. Essa edição é especial da Bienal do livro, a capa é feita de papel artesanal e todos os livros vem com um número de série. O meu é o número 13!

Minha Opinião

Fábulas Ferais são textos perdidos de Shangri-lá, retratando várias épocas do local, desde antes de sua criação, com o povo macaco se rebelando contra a ditadura do povo coruja, passando pela chegada do povo morcego nos penhascos do Lar das Bestas, pela coroação de seu primeiro rei quimera até o começo da guerra com os humanos.

O começo é meio confuso, mas é proposital, afinal, é um pré-começo para o próximo livro que está por vir. Por conta disso, a trama não é linear e há grandes saltos de tempo, dando a sensação de estarem faltando algumas peças de um quebra cabeça. A cada capítulo somos a presentados a um novo personagem, que fora os últimos, não possuem uma relação direta entre si.

Como se trata de personagens que são animais, a narrativa é naturalista, bem equilibrada da personificação das criaturas. Feras selvagens, temos bastante cenas de batalhas na trama com bastante sangue e violência, pois os personagens precisam constantemente lutar para protegerem suas vidas e os entes que amam.

No final de cada capítulo, há trechos do Atlas Ageográfico de Lugares Imaginários inéditos!

Desses, vale destacar Gilgamesh, a primeira quimera a ser criada e que acaba se tornando o primeiro rei de Shangri-lá ao lado de sua esposa Tiamat, um dragão fêmea que controla o conselho dos anciões de cada espécie da cidade. De todos, esse personagem para mim foi o mais misterioso, que possui a origem mais estranha, mas só lendo para entender. Outros que valem o destaque são o Capitão Íbis e sua filha Maya, ambos do povo morcego e principais protetores da cidade, Lars, um minotauro apaixonado por Maya e Jacira, uma onça que adotou uma criança humana. Estes personagens aparecem lá pro final, quando uma grande reviravolta acontece, chocando o leitor e dando um gostinho de quero mais.

Fábulas Ferais é um ótimo livro de fantasia nacional, mostrando o potencial que o gênero tem no Brasil e que já está ganhando seu merecido espaço na literatura brasileira atual. Pequeno e fino, dá para ler em qualquer lugar e possui uma edição caprichada e bem resistente. É uma ótima tira gosto do que está por vir.

Aproveitando, vamos conhecer um pouco mais sobre a autora?

 

Ana, quando começou o seu desejo de se tornar escritora?

A partir do momento em que percebi sobre as pessoas que escreviam os livros que eu gostava de ler, foi quando pensei “Poxa, eu quero fazer igual a eles também!”. Mas acho que só percebi que isso era uma possibilidade quando tinha uns 10 ou 12 anos, em que fui vendo a existência dos escritores, das pessoas que escreviam, que existiam pessoas que viviam disso, apesar de serem poucas. E foi assim, finalzinho da infância, começo da adolescência, que comecei a ter essa vontade mais definida.

Quais são suas maiores inspirações quando você escreve, seus autores preferidos, seu estilo de escrever?

Eu acho assim: a gente sempre escreve o que a gente lê. Estamos sempre reescrevendo algo que passou pelo nosso filtro. Eu tenho uma grande admiração por vários escritores, gosto muito do Neil Gaiman, gosto muito da Ursula Le Guin, gosto muito da Marion Zimmer Bradley, aliás, a Marion é a minha principal referência de estilo, muito grande até. Tá na hora até de parar um pouco, nos meus escritos atuais (risos). Leio muita poesia também, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Marisa Carneiro, Sir Walter Scott, que foi um dos fundadores da ficção histórica… muita coisa! Acho que tudo o que a gente lê acaba virando referência e inspiração, mas se pra ser como aquele escritor que a gente admira mesmo… Neil Gaiman, sem sombra de dúvida! Ou a Úrsula mesmo, ela é uma velhinha sinistra que chuta bundas! (risos)

E seus projetos futuros?

Bom, eu estou lançando na Bienal as Fábulas Ferais. Fábulas é uma prequel do Atlas de Lugares Imaginários, que o meu primeiro romance inédito. Um dos primeiros projetos é justamente lançar o Atlas, tá na luta e escrever o segundo livro dessa série. É uma série de livros que são fechados entre si, mas se interligam pelo universo ficcional. Eu tenho um projeto, quero fazer uma releitura de Robin Hood. Eu sei que está numa época de releituras trazendo para o contemporâneo, mas não. A minha releitura é uma gender bender, transformando o Robin Hood em uma mulher. Isso porque Robin em inglês, é um nome fluido, não necessariamente é um homem. Então umas minhas metas, uma das minhas pesquisas, é fazer uma versão feminina de Robin Hood, mas se passando na Idade Média e sem cortar o romance com a Lady Marian.

Nossa!! Já quero ler esse livro!!!

Obrigada! (risos)

Eu a autora Ana Cristina no stand da Aquário Editorial na Bienal!

Gostaram desse contato com a autora? Vem muita coisa boa por aí, ficamos no aguardo!

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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