Entrevista com os autores Anderson Assis e Isis Fernandes

E ai galerinha, tudo beleza? No mês de maio o Rio de Janeiro recebeu pela primeira vez a Geek Game e nós tivemos a oportunidade de prestigiar esse evento. Lá conheci e revi vários autores e dentre eles, entrevistei dois autores que eu não conhecia: Anderson Assis e Isis Fernandes. Segue abaixo entrevista.

 

Primeiro, gostaria de agradecer aos autores por disponibilizar um pouco do seu tempo para responder algumas perguntas.

 

1 – Pode ser uma pergunta um pouco clichê, porém às vezes a resposta nos surpreende. Como você começou  escrever seus livros?

 

Anderson: Me encontrei neste caminho durante um pequeno período de depressão. No qual escolhi concluir pelo menos uma coisa na minha vida e para minha surpresa, descobri meu talento para a literatura.

 

 

Isis: Comecei a escrever “Energier” com por volta de onze anos. A ideia veio mais como uma espécie de esqueleto primitivo da história do que uma premissa propriamente dita: eu já tinha uma noção do começo e do final da trama, mas os detalhes, os personagens e o desenvolvimento que levaria  a esse desfecho ainda demorariam um bom tempo para serem estruturados. Tirando algumas redações da escola, nunca tinha realmente escrito alguma coisa, o que explica essa dificuldade.
Logo no dia seguinte ao que tive a ideia, já estava escrevendo, e por muito tempo mantive o hábito de escrever todos os dias. Um ano depois já tinha começado a postar os capítulos na internet.



2 – Conte um pouco sobre o que se trata os livros de vocês.

 

Anderson: Eu tenho uma trilogia chamada Pré-Mortais, cuja mesma já possui 2 livros publicados de forma independente (o último já está pronto, mas ainda não foi publicado). Essa trilogia é ambientada no Brasil; para ser mais especifico, no Rio de Janeiro. Nela eu narro a história de um jovem que descobre por acaso que não é humano e que precisa impedir que a Terra seja destruída. Porém, conforme a história se desenvolve, ele percebe que nem tudo está sendo revelado a ele, o que o leva a desconfiar de alguns de seus aliados. A narrativa se passa nos dias atuais mas é repleta de elementos fantásticos e com direito a muitas batalhas.
Quanto ao livro, cujo mesmo foi o motivo de vocês me conhecerem (O Mensageiro das Estrelas), este é um projeto em homenagem a Masami Kurumada e Rick Riordan, que mostra minha evolução na escrita, enquanto apresento aos leitores uma batalha entre Ares e Atena, em pleno século XXI. Aqui, o Deus da Guerra encarna em um homem negro sob a patente de Coronel do exército brasileiro enquanto Atena irá despertar no aniversário de 15 anos de uma jovem modelo negra brasileira, com uma carreira em ascensão. A história é inspirada em Cavaleiros do Zodíaco, pois segue a premissa de que Atena é protegida por 12 guerreiros.

Isis: Basicamente, a trilogia “Energier” trata de cinco jovens com poderes psíquicos que, por obra do acaso, acabam se envolvendo em um mistério e a partir disso precisam trabalhar juntos para resolvê-lo. Talvez pela estrutura da narração (cada capítulo é narrado por um dos protagonistas, sempre na mesma ordem), há um aprofundamento no psicológico de cada um e suas interações com outros personagens que não sejam os principais.
Minha mente enquanto leitora sempre foi povoada por perguntas como “o que aconteceria se, ao invés de arriscar sua vida pelo bem maior, o escolhido simplesmente dissesse ‘vocês que se virem para salvar o mundo, vou estar esperando com uma pizza quando voltarem’?”, “como esses personagens sempre se dão tão bem?! Pessoas forçadas a conviver sob pressão não costumam ser simpáticas” e “onde eu me inscrevo para evitar uma catástrofe? Aparentemente, todos os seus problemas de ‘gente normal’ desaparecem ao fazer isso” e fiz o possível para respondê-las.

3 – O que levou vocês a escreverem esse gênero?

 

Anderson: Sempre fui fã de fantasia e considero que a vida real já é cinza demais. Então, acredito que leituras fantásticas sejam uma boa forma de se entreter e fugir da realidade, colorindo um pouco os nossos dias, mas também acredito que servem para ensinar, mesmo que a obra não possua necessariamente essa intenção.

 

Isis: Provavelmente minha afinidade com livros de aventura e de mistério, combinada com minha vontade de ler personagens que não fossem heróis, e sim gente como a gente.

 


4 – Como estão encarando essa vida de escritor?

 

Anderson: Escrever não é fácil, ainda mais em um país de poucos leitores. Mas gosto muito e aprendo a cada passo dessa jornada. Seja escrevendo ou lendo. O hábito da leitura me ajuda bastante na prática da escrita, e saber que minha jornada tem sido uma referência para crianças e jovens de regiões carentes, me traz a sensação de estar cumprindo uma missão muito importante.

 

Isis: Estou sempre me surpreendendo. Quer dizer, eu nunca havia sequer cogitado a ideia de me tornar uma autora publicada antes de que isso acontecesse de fato, então nunca havia chegado a pesquisar sobre como funciona a vida de um escritor. Comecei sem ter ideia de como funcionava uma feira do livro, por exemplo. Apesar de tudo, estou me acostumando.
5 – Sentem alguma dificuldade nesse meio?

 

Anderson: As dificuldades existem em todos os meios. Mas prefiro olhar para as possibilidades.

 

Isis: Um pouco. Por ter começado muito nova, muitos conteúdos ainda não haviam sido trabalhados em Português ou Redação na escola: esse foi o primeiro obstáculo. Boa parte do que aprendi sobre técnicas de escrita foi por conta própria na internet. Também havia certa resistência por parte dos leitores, por conta da minha idade. Agora, não tenho tantas dificuldades (talvez porque um livro de uma garota 16 anos soe mais “normal” que o de uma garota de 11). O fato de eu não levar a escrita como profissão propriamente dita facilita as coisas, sendo que não tenho a necessidade de comparecer em eventos ou feiras do livro com frequência e assim consigo levar minha vida escolar normalmente.


6 – O evento, na visão de vocês, foi bom para os autores? E a divulgação?

 

Anderson: Isso é algo que comentei com um membro da produção. Apesar de considerar a divulgação do evento muito boa, acredito que eles poderiam ter dado uma atenção melhor para a divulgação dos nomes presentes na ArtWay. Se tivessem feito uma postagem sobre cada um dos artistas ali presentes, com foto e um pequeno texto sobre eles, já teria ajudado bastante. Mas de modo geral, eu gostei muito. E participar propriamente do evento foi uma experiência incrível. Mesmo as pessoas que passaram pelo estande e não compraram, proporcionaram (a mim pelo menos) momentos de diálogos prazerosos e construtivos.

 

Isis: Por não morar no Rio de Janeiro, talvez não seja a pessoa mais confiável para dizer isso, mas achei muito boa a divulgação do evento. A página no Facebook estava sempre atualizada e vi vários pôsteres de divulgação pela cidade.
Por se tratar de um evento mais voltado para games, não pensei que seria tão bem recebida, mas o público no geral foi muito simpático. Apesar da localização  (o espaço dos autores independentes estava “de costas” para o evento, perto da saída), muitas pessoas paravam e se interessavam, o que me surpreendeu muito.

 

7 – O que podemos aguardar de novidades esse ano, principalmente para tão esperada Bienal?

 

Anderson: Muita coisa. Eu tenho uma obra pronta ainda não publicada e que não faz parte nem da Trilogia Pré-Mortais e nem do enredo de O Mensageiro das Estrelas. Estou analisando uma possibilidade de publicação para ela, mesmo que independente. Até porque, trata-se de uma obra bastante pessoal para mim, pois não é uma fantasia, mas sim um “romance realista” que mostra da vida de um fã de anime. Quanto a Bienal, minha maior pretensão com ela é lançar o livro 3 de Pré-Mortais nela. Mas quero fazer isso levando um box. E isso é muito importante para mim, pois foi na bienal que tudo isso se tornou de fato um Caminho. E gostaria muito de expor (pelo menos o livro O Mensageiro das Estrelas) na CCXP deste ano em São Paulo. Pois sempre quis levar meus livros para um evento em São Paulo.

 

Isis: Este ano estou tentando focar mais em “Energier 3”, a última parte da trilogia que ainda está sendo escrita. Muitas coisas ainda estão para acontecer, ainda há muitas pontas para juntar. Estive presente na Bienal do Livro do ano passado, em São Paulo, mas ainda não tenho planos para esse ano.

 

 

8 – Gostariam de finalizar falando mais alguma coisa?

 

Isis: Sobre o apoio dos meus pais, gostaria de dizer que eu sou muito grata a eles nesse sentido. Eles toparam publicar “Energier”, ao mesmo tempo que não cobram de mim nenhum tipo de meta de vendas ou prazos. Se nós vamos a uma feira do livro, eles fazem questão de tirar um dia para passear e conhecer a cidade, para que eu não fique exausta por passar desde manhã cedo até a noite dentro do evento (e claro, eles aproveitam e fazem turismo, coisa que gostam bastante).

Bom galera, gostaram de conhecer mais um pouquinho desses autores? 

Thami Cheble

Gosto muito de ler! Tenho costume de me colocar no lugar do personagem pra entender melhor ainda o que ele sente, e se me ver rindo igual louca quando estou lendo não ligue, isso é normal mas, se me ver chorando nem pergunte! Não interrompa minha leitura.

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