Crônica: “Leia com atenção”, de Philippe Medeiros

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Me olho no espelho e tento te sentir mais uma vez, é impressionante como só você sabe cada curva do meu corpo e como toca-la.
Talvez Deus tenha reservado o inferno para nós dois, mas se isso for o inferno eu tenho certeza que eu não preciso do céu, me sinto especial com você e de uma forma que eu nunca me senti antes, viva!

Não espero que entenda essa carta, mas me peguei fazendo ela no quarto enquanto olhava uma foto do meu marido, eu não gosto de chama-lo assim, mas é o que a casualidade o tornou, meu marido, eu prefiro chama-lo de “o outro”, espero que você o chame assim, afinal é muito mais sensual pensar que você não é apenas o meu amante e sim que tem o total controle sobre o meu corpo.
Porque eu entrei no seu escritório e sem falar nada eu decidi que deveria ficar nua na sua frente? Foi isso que você deve ter se perguntado naquela quarta-feira chuvosa? Logo eu que parecia ser uma advogada tão séria, não deveria ser da minha conduta transar em um escritório de portas abertas, em horário de expediente, mas a verdade é que eu nunca fui feliz, e você, apenas você tem um jeito que me deixa exitada.

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Eu fiquei cansada da monotonia, é isso! Quando eu tinha dezesseis eu achei que com o Roberto as coisas não seriam sempre iguais, e você sabe como ele era aventureiro naquela época, achei que a vida ia ser incrível, com altos e baixos, mas com uma felicidade extrema, e hoje a vida consiste em acordar cedo, por as crianças na van escolar, sair para trabalhar, chegar em casa as 19h, fazer a janta, deitar e dormir, o Roberto ama essa vida, eu detesto.
Resolvi escrever essa carta porque já fazem dois meses que nós dois começamos a sair, e hoje eu quero que você faça uma loucura por mim, eu não quero que a nossa relação também caia nessa monotonia que o meu casamento caiu. O que eu quero?
Eu quero que você vá até a minha casa e me coma! Não quero um sexo casual, eu quero que você me agarre pelos cabelos e me faça revirar os olhos, que passe a mão por dentro das minhas coxas até que a minha perna involuntariamente abra e só assim você suba a sua mão calmamente até tocar a minha calcinha levemente e me masturbe, quero que me dê chupão, como se eu fosse uma menina de dezesseis, e depois me coma de quatro na mesa da cozinha, quero que faça isso tudo em silêncio enquanto eu gemo como uma louca, você vai me dominar. Espero que se vista lentamente depois que eu gozar, e ai vai esperar o Roberto chegar, vai o abraçar e depois inventar que veio na nossa casa para dar alguma noticia sobre o pai de vocês.

Philippe Medeiros

Autor e roteirista carioca, apaixonado por livros e conversas banais..

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