Crítica: “A Noiva”, de Svyatoslav Podgayevsky.

Sinopse Oficial

Nastya (Victoria Agalakova) é uma jovem mulher que viaja com seu futuro marido para a casa da família dele. Logo após chegar, ela percebe que a visita pode ter sido um erro terrível. Rodeada por pessoas estranhas, ela passa a ter visões horríveis à medida que a família do seu futuro esposo a prepara para uma tradicional cerimônia de casamento eslava.

Minha Opinião

A Noiva tem um trailer sinistro e um plot bem interessante, que infelizmente não foi bem explorado. Usando como base uma prática do século XIX de fotografar pessoas mortas (se bater a curiosidade: http://www.historiadigital.org/curiosidades/35-fotos-post-mortem-feitas-apos-a-morte/) um fotógrafo faz um retrato de sua falecida esposa, com esperança de realizar um ritual em que através da fotografia possa “guardar” alma da mulher e transferir para um outro corpo. A experiência obviamente não dá certo e uma terrível consequência cai sob a família do fotografo. Até aí, tudo bem.

A história então avança para Nastya, uma jovem estudante que está prestes a se casar no civil com o namorado fotógrafo. Após umas breves de cenas de convivência do casal, o esposo recebe uma ligação de sua irmã, o convidando para passar uns dias na casa de sua família e levar sua noiva. Nastya, que até então nunca tinha conhecido nenhum parente de seu marido, topa a ir na hora. Chegando lá, logo percebe que a família de seu esposo é muito estranha e misteriosa. A casa onde seu marido cresceu é antiga e embora sua cunhada se mostre amável, percebe-se que ela está escondendo alguma coisa. A sensação disso só piora quando Nastya percebe que todos estão falando sob suas costas, em um tom de conspiração. Não demora muito para a protagonista começar a ter estranhas visões e ouvir barulhos sinistros pela casa.

Apesar de A Noiva ter elementos fundamentais dos filmes de terror, falta coerência na construção da trama do filme, que em alguns momentos chega a ficar confusa e em outros é previsível até demais, falhando até em momentos possíveis de jump scare (aqueles momentos em que cena está silenciosa com uma musica tensa ao fundo, em que um monstro pula do nada, assustando o personagem e o espectador). O filme é russo, mas dublagem é feita por americanos, trabalho que chega até mais pavoroso do que o próprio filme em si: as vozes não sincronizam com a boca dos atores e até mesmo a combinação entre elas não funciona. Talvez se o áudio original fosse mantido e tendo apenas as legendas, seria menos pior.

Podgaevskiy, o diretor de A Noiva, ainda é novo na área e tem apenas dois filmes e alguns curtas no currículo, mas o resto de seu trabalho é desconhecido, ainda mais no Brasil. Isso torna mais difícil criticar sua estética na direção, pois não outro filme seu para comparar. Mas é nítido a preocupação do diretor mais com trama do que com desenvolvimento dos personagens, que acabaram superficiais demais na história. Nastya entra naquele clichê de garota ingênua até demais, sem muito background a seu respeito. Mas está e só a protagonista. Vanya (Vyacheslav Chepurchenko), seu marido e Liza (Natalia Grinshpun), sua cunhada, e os demais personagens são bastante genéricos.

A fotografia do filme é até bonita e bem feita em algumas cenas, que são típicas de filmes desse gênero: tons azulados e frios, somados ao fundo bolorento da casa onde se passa a maior parte da história, ambiente fechado, para dar aquela sensação de claustrofobia e terror. O filme tem um começo interessante, mas o resto da sua narrativa não se mantem constante é confuso e com final meio sem nexo e solto. Em termos técnicos, A Noiva não é ruim, mas peca muito em estética e desenvolvimento de trama. Quem não é fã de gênero pode achar o filme muito maçante, mas para quem curte suspense com nuances de terror, pode gostar do enredo, que em si, é boa.

 

Ficha técnica

Título: Nevesta (Original)

Ano produção: 2017

Direção: Svyatoslav Podgayevskiy

Estreia: 2 de Novembro de 2017 ( Brasil )

Duração: 93 minutos

Gênero: Terror, Thriller

Países de Origem: Rússia

 

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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