Crítica: Kingsman, O Círculo Dourado.

Sinopse Oficial

Um súbito e grandioso ataque de mísseis praticamente elimina o Kingsman, que conta apenas com Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) como remanescentes. Em busca de ajuda, eles partem para os Estados Unidos à procura da Statesman, uma organização secreta de espionagem onde trabalham os agentes Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). Juntos, eles precisam unir forças contra a grande responsável pelo ataque: Poppy (Julianne Moore), a maior traficante de drogas da atualidade, que elabora um plano para sair do anonimato.

 

Minha Opinião

Geralmente, o segundo filme de uma franquia costuma ser mais fraco do que primeiro, seja por enredo, orçamento, personagens novos ou pelo conjunto geral da obra, se for comparado com o antecessor. Mas Kingsman: O Círculo Secreto, não decepciona em nenhum desses quesitos! Com muito mais cenas de ação, efeitos especiais e plot twist surpreendentes, o segundo filme conseguiu superar as expectativas deixadas pelo primeiro, mantando assim a boa qualidade do gênero ação da franquia.

 

Eggsy (Taron Egerton), agora assumindo oficialmente o codinome de Galahad, é o mais novo agente da Kingsman, sob o peso de fazer jus ao legado deixado por Harry Hart (Colin Firth). Nos primeiros minutos do filme, Eggsy, ao sair da alfaiataria/QG da Kingsman, é abortado por seus antigos companheiros de treinamento, que o ataca violentamente. É quando começa a primeira de várias cenas de ação insanas de Kingsman 2. Após se livrar do inimigo, Eggsy achava que ia ter um jantar tranquilo com os pais de sua namorada, mas todas as sedes da Kingsman e seus principais agentes são atacados simultaneamente e a organização é seriamente comprometida, restando apenas os agentes Galahad e Merlin (Mark Strong).

O plano para acabar com a Kingsman foi todo orquestrado por Poppy (Julianne Moore), dona do maior cartel de drogas do mundo, o Círculo Dourado. Acabar com a agência de investigação inglesa era só a primeira parte de seu plano maligno para a dominação mundial no mercado de narcóticos ilegais, no qual a vilã acredita não ter mais nenhum  empecilho para seus ardis. Desolados, Eggsy e Merlin seguem uma única uma única deixada por seus antecessores, que os leva a outra organização supersecreta, uma descendente da Kingsman nos EUA: a Statesman. Assim, com novos companheiros, Eggsy parte para acabar com os planos de Poppy, mas ele não esperava reencontrar um antigo companheiro…

Kingsman 2 é um filme surpreendente e bastante divertido, conseguiu manter muito bem a qualidade da série. Mas não a ponto de superar o primeiro filme completamente. O segundo filme possui bem mais cenas de ação que o primeiro e bastante bem elaboradas: lutas muito bem coreografadas e sequencias bastante frenéticas e insanas, de encher os olhos. Porém, peca um pouco no abuso dos efeitos especiais. É praxe nos filmes de espionagem os personagens possuírem um verdadeiro arsenal de apetrechos bastante uteis e com mil e uma utilidades cada um deles, mas em Kingsman 2, levaram isso ao extremo. Não importa o quão complicada seja a situação em que os personagens se encontram, alguém sempre vai sacar algum aparelho da manga e tudo se resolve. Prático, não? Queria ter pelo menos algum aparelhinho daqueles? Claro. Mas é um recurso que quando exagerado demais, passa dos limites. Chega a ser previsível, porque sabemos que quando o personagem se encrencar, ele vai sacar alguma coisa do bolso que vai resolver a parada toda. E claro, nenhuma dessas cenas de ação conseguiu superar a icônica cena da igreja de Kingsman: O Serviço Secreto.

A Statesman é um ponto de virada interessante e quando é apresentada pela primeira no filme é uma cena que surpreende. Mas não impressiona tanto quanto a Kingsman. Isso porque a agência norte-americana é nos apresentada da mesma forma que foi a apresentada a agência inglesa: uma organização ultra-mega-power secreta, abaixo do radar, usa e abusa de uma tecnologia de ponta, seus agentes possuem codinomes fixos (isto é, caso o agente morra, seu descendente irá herdar seu codinome, exatamente como o Eggsy e Harry) e contam com vasto repertório de armas e bugigangas. Mas é claro que ambas as agências tem suas diferenças. A Statesman tem como disfarce uma fábrica de uísque, seus agentes se vestem como caubóis e suas armas são mais brutas. É para reforçar aquele estereótipo entre ingleses e americanos. Ingleses são gentleman, elegantes, cultos, não perdem a pose no meio combate e suas armas são mais elegantes e discretas. Já os americanos são broncos, grosseiros, fanfarrões e fazem questão de mostrar que andam bem armados, como rifles, facões e chicote. No universo de Kingsman é até plausível, mas em alguns momentos fica bastante pastelona essas diferenças.

Como dito antes, o filme possui bastante pontos de virada que chegam a deixar o expectador bastante surpreso, além de momentos de tensão que nos fazem ficar tensos também.  Um desses pontos o próprio trailer já entrega: Harry está de volta! Mas calma, não vou entregar o ouro! O que posso dizer é que o retorno de Harry Hart encaixou muito bem na trama, usando bem os mecanismos de narrativa do universo Kingsman. Não é nada bastante absurdo, como uma morte forjada por exemplo. Não posso falar mais, se não o Ministério do Spoiler vai me advertir. Mas vamos combinar que a atuação de Colin Firth é um dos brilhos da série! Ele ia fazer muita falta!

Falando em atuações brilhantes, a vilã de Julianne Moore está impecável. Poppy é bastante caricata e cômica, uma verdadeira sociopata que controla seus capangas numa mistura de doçura e loucura, que os deixam ao mesmo tempo cativados e com bastante medo dela. Seu plano de dominação mundial talvez não seja tão mirabolante quanto os planos de Valentine, interpretado por Samuel L. Jackson no primeiro filme, mas por outro lado, não chega a ser inverossímil e faz até um pouco de sentido, afinal, ela é uma narcotraficante barra pesada. E com o desenrolar da trama, vemos que Poppy não é a única vilã da história. Sem sombra de dúvida, é uma personagem que amamos odiar. Na formula de Kingsman, vilões caricatos, maléficos por natureza, é molde que dá bastante certo. E Julianne Moore interpretou muitíssimo bem seu papel, chegando Poppy ser uma vilã tão perigosa quanto Valentine.

Em Kingsman 2, o humor está muito mais presente no que filme. Humor galhofa, típico dos filmes de ação, em alguns momentos chegando a ser pastelão, mas com tiradas sensacionais. Elton John está presente no filme e, geralmente, a presença de cantores famosos em filmes fica meio solta e sem acrescentar nada a história, mas não é o caso. Elton, que no caso “interpreta” ele mesmo nas cenas, se encaixa muito no enredo, principalmente nas cenas cômicas, em piadas de duplo sentido envolvendo sua conhecida homossexualidade, mas como ele mesmo faz as tiradas, não chegam a ser piadas depreciativas a homossexuais. Pelo contrário, as cenas do Elton são de gargalhar!

Kingsman: O Círculo Dourado é um ótimo filme de ação, cenas de lutas insanas, efeitos especiais de encher os olhos e com uma narrativa bastante envolvente. Não chegou a superar o primeiro, mas conseguiu carregar com excelência a marca deixada por seu antecessor. Para os mais críticos e observadores, o pode não agradar em suas falhas estruturais da trama, mas não vai comprometer toda a experiência da história. E para os amantes de um bom filme de ação, com muito tiro, porrada e bomba, é um prato cheio e muito, mais muito divertido!

Ficha Técnica

Título: Kingsman: The Golden Circle (Original)

Ano produção: 2017

Direção: Matthew Vaughn

Estreia: 28 de Setembro de 2017 ( Mundial )

Duração: 135 minutos

Gênero: Ação e Aventura

 

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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  • Luiza Maia

    Amei, quero ver!

  • Eu adorei o primeiro, segundo pelo trailer parece ser muito bom!

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