Crítica: “Extraordinário”, de Stephen Chbosky.

Sinopse Oficial:

Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial. Pela primeira vez, ele irá frequentar uma escola regular, como qualquer outra criança. No quinto ano, ele irá precisar se esforçar para conseguir se encaixar em sua nova realidade.

 

Minha opinião:

Aviso: leve uma boa caixa de lenços de papel, lençol ou até mesmo um balde para conter as lágrimas, pois garanto que serão muitas!

Umas das minhas primeiras matérias aqui no Sou Aficcionado foi a resenha do livro Extraordinário, da autora R.J. Palacio, que conta a história de um garotinho nasceu com uma rara doença que o fez passar durante boa parte de sua primeira infância em cirurgias para salvar sua vida. Porém, o efeito colateral foi ter seu rosto completamente deformado, dificultando seu convívio social com as outras crianças. E como não podia ficar eternamente dentro de cada sendo ensinado apenas por mãe, Auggie é matriculado em uma escola e aos poucos vai conquistando amigos por sua gentileza e bondade.

O filme conseguiu representar fielmente a sensibilidade do papel na tela. É uma amostra de como o cinema não necessita usar efeitos especiais faraônicos, edições elaboradas ou enquadramento de câmeras criativos para encantar o público. Extraordinário fascina e emociona pela simplicidade de seu enredo, uma combinação equilibrada de leveza (pois a maioria dos personagens são crianças) com intensidade, que realmente toca o coração do espectador.

Parte disso se deve ao talento do diretor canadense Stephen Chbosky, que também dirigiu a adaptação “As Vantagens de Ser Invisível”, outro romance bastante emocionante. Chbosky conseguiu trazer muito bem a leveza e a sensibilidade da vida de Auggie, sua família e amigos com muita fidelidade para a tela do cinema. Não que o filme tenha sido colocado 100% do livro no filme. É impossível fazer isso. Mas Chbosky conseguiu representar a essência da história de R.J. Palacio, de modo que quem não leu o livro, vai conseguir se emocionar e captar a mensagem da história. E que com certeza terá vontade de ler o livro depois.

Eu imaginava que o rosto de Auggie ficaria bem pior, mas até que não está tão ruim

A outra parte da excelência do filme se deve ao elenco. O destaque vai para a dupla Jacob Tremblay e Julia Roberts, que vivem respectivamente Auggie Pullman e sua mãe, Isabel Pullman. Tremblay, que vem demostrado muito talento para sua pouca idade desde O Quarto de Jack, mostrou que é realmente um ator com um futuro muito promissor. É notável sua dedicação a interpretação do personagem, desde o seu laboratório com pessoas que tem a mesma doença de Auggie ao trabalho de suas expressões faciais durante as cenas, mesmo sob várias camadas de maquiagem usadas para deformarem seu rosto: em momentos de alegria ou de tristeza, Tremblay transmite perfeitamente as emoções do personagem. Já com anos de casa, Julia Roberts esbanja seu talento de atuação, se tornando não apenas uma mãe dedicada ao seu filho, que o apoia e o fortalece, não sendo super protetora, mas o ensinando a lutar por seu lugar no mundo, não ter vergonha de sua aparência e ser sempre uma pessoa melhor. A química entre os dois, vivendo uma mãe e seu filho, é muito linda e uma das melhores coisas do filme.

Atores de gerações diferentes, mas em igualdade em talento em atuação

O elenco como um todo fez um ótimo trabalho. Os atores mirins estão de parabéns e se dedicaram bastante. Confesso que fiquei não muito satisfeita com a escalação de Owen Wilson para viver Nate Pullman, devido suas atuações irregulares nos últimos anos, mas o ator interpretou muito bem seu papel, tanto nos momentos cômicos, mas também nas cenas mais emocionantes. Sônia Braga está presente no filme e mesmo fazendo uma ponta, deixou sua marca. Ela interpreta a avó materna de Auggie e sua irmã mais velha Via. A cena em que contracena com Izabela Vidovic (Via) é uma das mais belas e sensíveis do filme, me emocionando muito.

A cena da Sonia Braga é de longe uma das mais belas e emocionantes do filme

Assim como o livro, o filme Extraordinário que nos toca com sua história sensível e ao mesmo tempo leve. A história retrata o bullying escolar, mas fala também de superação e amor ao próximo. Não importa a nossa aparência. O que importa é como tratamos nossos semelhantes. Todos nós vivemos batalhas internas diárias, não nos cabe julgar os outros, porque não temos ideia do que eles estão passando. Escolha sempre ser gentil, é essa a mensagem que tanto o livro quanto o filme nos passam. Quem já chorou e se emocionou lendo, vai sair do cinema aos prantos, mas com o coração leve. O mesmo para quem vai conhecer Auggie pelas telonas.

E lembre-se: todos merecem ser aplaudidos de pé, pois todos nós conquistamos o mundo. #Choosekind.

 

Ficha Técnica

Título: Wonder (Original)

Ano: 2017

Direção: Stephen Chbosky

Estreia: 7 de Dezembro de 2017

Duração: 113 minutos

Gênero: Drama

Países de Origem: EUA

Tainá de Oliveira

Sou Tainá de Oliveira, carioca da gema e tipicamente ariana! Rata de livraria, meu vício em livros começou já no berço. Jornalista, sonho em escrever livros tão bons quanto os que leio e que possam encantar crianças e adormecer adultos!

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