Bienal do RJ 2017: Entrevistando Dana Guedes!

Entre 30/08 e 10/09 aconteceu mais uma edição da tão aguardada Bienal do Livro no RJ no Rio Centro. Tive o prazer de comparecer ao maior evento literário do estado – mesmo que por apenas um dia – e era simplesmente indescritível a quantidade de pessoas que havia lá dentro. Fiquei um tempo do lado de fora desde a chegada até enfim conseguir entrar por conta de alguns imprevistos e a cada dez pessoas que chegavam, apenas uma saía… Então vocês podem imaginar o quão cheio estava.

Fora isso, meu destino principal foi o stand Editora Draco que estava localizado no Pavilhão Verde, Rua N, Número 13, após pedido da chefa (conhecida como Ara Robert, esposa do Boss) para que eu entrevistasse uma das autoras – cujo possuo toda coletânea – graças ao tema que geralmente aborda em seus livros: O amor entre meninos. E como a pessoa que escreve aqui a vocês é uma fujoshi assumida desde os 17 anos, foi uma honra assumir esse trabalho e fazer toda uma viagem pra chegar até lá e encontrar ninguém menos do que Dana Guedes!

Obviamente que, aproveitando o momento, levei todos os meus livros para serem autografados por ela e ainda recebi o mimo de três bottons – um de cada história – que são extremamente fofos. E claro, além da entrevista, ainda passamos um bom tempo conversando sobre animes e mais ainda yaoi… E digo a vocês: Ela é um doce de pessoa!

Infelizmente não rolou nada em vídeo, mas tudo foi devidamente gravado em áudio apesar da barulheira do evento e abaixo vocês poderão conferir todo o gostoso bate-papo junto a mais uma autora nacional que marcou presença na Bienal 2017!

Equipe Aficcionada: Quando foi a primeira vez que você teve contato com o gênero yaoi?
Dana Guedes: A primeira vez que tive contato com yaoi foi em 2002, faz 15 anos. Eu lia Angel Sanctuary da Kaori Yuki, aí eu fui procurar outros títulos dela e descobri Boys Next Door que é um oneshot muito, muito bom. E eu nem sabia que existia yaoi, comecei a ver porque via a arte e falava “Nossa, que lindo”, depois os caras começavam a se pegar e eu ficava “Gente, o que tá acontecendo?”. Mas eu achei a história muito boa, a história é incrível desse mangá e aí por causa disso eu comecei a procurar outros, então acabei entrando nesse universo incrível do yaoi eternamente.

Equipe Aficcionada: Por que você acha que mesmo nos dias de hoje, ainda existe tanto preconceito com relação a esse gênero?
Dana Guedes: Acho que é da índole do ser humano temer o que é diferente de você e aí por causa de toda a nossa história, enfim, e muita coisa a ver com religião também, a sociedade meio que marcou as pessoas homoafetivas como diferentes. Então a sociedade no geral fica com medo de que isso traga uma mudança muito grande. Toda vez que um medo muito grande acontece, as pessoas tendem ao conservadorismo, então elas tem medo de mudar e aí preferem se apegar ao que já conhecem. E isso é a família tradicional, bíblica, já que nosso mundo é majoritariamente cristão. Então é isso.

Equipe Aficcionada: Qual o subgênero do yaoi que você mais gosta? Não para escrever, mas para assistir e acompanhar?
Dana Guedes: Eu não me ligo muito em gênero ou subgênero, gosto de um enredo bom, que não tenha estupro e que tenha personagens com um certo desenvolvimento. Não precisa ser muito desenvolvimento. Gosto muito de Love Mode, por exemplo, que é no estilo de Junjou Romantica… Tem vários casais, é uma série longa e talz, mas acho que os personagens são melhores desenvolvidos nessa história. Tem três núcleos, é tudo interligado, mas cada um deles têm o seu próprio desenvolvimento, um não depende do outro e as histórias são mais sérias também. E acho que não tem tanta forçação de barra, sabe? O primeiro capítulo é meio assim, o menino fica bêbado e aí o outro pega ele, mas assim, acho que o importante é ser consensual. É o que gosto mais! Não importa se vai ter dark lemon depois ou mais pra frente, entendeu? ~risos

Equipe Aficcionada: E anime, qual você assistiu e mais gostou desse gênero?
Dana Guedes: Ahh, olha, não me julgue, mas o anime que mais mudou a minha vida foi Sensitive Pornograph. É porque foi a primeira vez que eu vi realmente um lemon, porque mesmo Boys Next Door é mais Boys Love. Aí falaram pra mim “Assiste Sensitive Pornograph, você vai adorar”.
Equipe Aficcionada: É porque ele realmente é o único anime yaoi que não tem censura.
Dana Guedes: Sim! Até mesmo aquela história do coelhinho. “Ah, olha, vamos cuidar do coelhinho”, aí chega lá e o coelhinho é o menino do bondage. Olha, realmente assim, impactou bastante. Na verdade, foi um divisor de águas, porque a partir daí eu vi que gostava mesmo de lemon. Porque como mangá às vezes não é tão explícito, então essa foi a prova dos nove. Então foi o que mais me marcou, eu gosto de muitos… Tipo Love Stage também.
Equipe Aficcionada: Esse é fofinho, né?
Dana Guedes: Desses mais recentes, eu gosto de histórias fofinhas. Então, acho que fico com esse mesmo.

Equipe Aficcionada: E de mangás? Que você já tinha lido ou acompanhado um pouco, qual foi o que mais gostou?
Dana Guedes: Boys Next Door é o meu ichiban favorito pra sempre, tenho um carinho muito grande por ele, e Love Mode. Tem um que não é, na verdade, yaoi, mas tem um casal que gosto muito… É um gore chamado Litchi Hikari Club. Um gore puro, só que todos os personagens são homens e em um momento, dois carinhas lá começam a se pegar e os personagens são muito bons. Hmm, o que mais? Sobre pressão assim é tão difícil, então vou ficar com esses. Pode ser fanservice? Tipo Kuroshitsuji, Sebastian e Ciel…
Equipe Aficcionada: O famoso Shounen-Ai.
Dana Guedes: É, só um fanservicezinho.
Equipe Aficcionada: Eu acho que, anime de esporte, é um pulo para o yaoi, né? Shounen-Ai também, até Shounen mesmo. Quando você vai assistir, quem gosta de yaoi, magicamente já encontra um casal ali.
Dana Guedes: Especialmente hoje em dia que tem muita influência. Até os traços acabaram ficando mais bishounen em Shounen. Você pode ver a diferença entre Slam Dunk e Kuroko no Basket, por exemplo, é algo gritante. Kuroko no Basket, dá pra shippar todo mundo, mas você não vai shippar os caras de Slam Dunk. Você pode até shippar.
Equipe Aficcionada: Só quem gosta de bara.
Dana Guedes: É, então, pode shippar os caras de lá, mas não é tão natural quanto shippar Kuroko. Que você fala “Ai, meu Deus, olha esse menino lindo”.

Equipe Aficcionada: Você tem planos de escrever algum livro voltado só para o lemon? Sem uma histórinha fofa como na maioria dos outros que já escreveu?
Dana Guedes: Não consigo! Eu já tentei, ao ponto de falar “Nossa, vou fazer um bagulho só pra vender pornô”, mas não… Eu não consigo. Acho que eu gosto de histórias que mostrem alguma coisa além de só o lemon. Assim, gosto muito disso, mas é que pra mim como pessoa, o lemon ganha mais graça quando ele tá dentro de um contexto, sabe? Se você prepara todo o terreno, quando acontece, você fala “Nossa, que bom! Era isso mesmo que eu estava esperando!”, mas se você só joga um monte de cena, quando vai chegando na penúltima cena, a galera já fala “Ah, tá bom vai, f*** logo.”, entendeu? E aí acho que perde um pouco a graça.

Equipe Aficcionada: E quanto a sua vida de cosplayer? Quando e como você começou?
Dana Guedes: Cara, eu comecei a minha vida de cosplayer antes de saber que existia um termo para isso, porque eu sou velha, né? Quando comecei a fazer cosplay, não tinha tanta internet assim. Meu primeiro cosplay, fiz no ano 2000 e só fui ter internet em casa em 2001, então eu não sabia o que era, na real. Uns amigos meus que falaram, porque eu jogava rpg de mesa, joguei muito desde os 12 anos, e eu frequentava muitos eventos disso. Mestrava bastante e aí um dia nesses encontros de rpg, um amigo falou “Ow, você sabia que existe eventos de anime em que as pessoas vão fantasiadas?”, aí eu fiz “Ai, mentira?”. Ele respondeu “Não, é sério. Compra a revista Herói”, aí eu fui comprar essa revista e tinha uma sessão lá que mostrava uma galera de fantasia e eu fiz “Ahh, meu Deus, preciso fazer isso”. Então fui na 25 de Março, comprei uns tecidos aleatórios, fui na costureira do meu prédio e falei “Costura a Sailor Marte pra mim” e foi o primeiro cosplay que vi ao vivo na minha vida, o meu próprio. Daí cheguei no evento e nem sabia como ia ser. Pensei “Mano, e se eu chegar lá e não tiver ninguém vestido? E só eu pagando o maior mico absurdo?”, então quando cheguei mesmo, nossa, o meu cosplay não tava tão feio, mas meio estragadinho, não sabia fazer. Aí, no final tava todo mundo fantasiado. Tinha acabado de começar, imagina só… AnimeCon 2001, todo mundo era meio noob e desde então nunca mais parei. Só fui ficando mais viciada ao longo dos anos.

Equipe Aficcionada: Se tivesse algum personagem de yaoi que você quisesse fazer agora, qual escolheira?
Dana Guedes: Olha, eu já fiz muitos personagens. Não de yaoi, mas de cosplay assim, um personagem que eu queria muito fazer é o Izumi de Love Stage, queria ao menos um ensaio fotográfico. Porque eu o acho bem fofinho, de yaoi declarado. Então acho que é esse. Tem um outro personagem que não é de yaoi, mas ele é esquizofrênico que é de Princess Jellyfish, já assistiu?
Equipe Aficcionada: Esse ainda não.
Dana Guedes: É o anime de uma menina que é apaixonada por água-viva. Ela é muito nerd de água-viva. Então um dia ela tá andando na rua e ela vê um aquário com uma água-viva que não está sendo criada em condições adequadas em uma loja de pets. Então ela entra na loja pra falar com o cara de lá que ele tem que cuidar da água-viva senão ela vai morrer, daí ele começa a falar um monte pra ela e então entra uma mulher maravilhosa, modelaça lá e fala “Nossa, você tem que fazer o que ela manda, porque vou comprar a água-viva”. Então a moça vai e compra pra ela e as duas vão juntas para o apartamento da menina, montam um aquário para a água-viva e a modelo acaba dormindo lá. Só que quando a menina acorda, a tal modelo era na verdade um cara e ele é um crossdresser! Ele é um modelo feminino e ele é um crossodresser muito f***, então ela começa a desenhar umas roupas pra ele e fazer desfiles e ele vira modelo dela. Então é muito animal! A animação e o anime são muito bons, recomendo bastante e gostaria muito de fazer cosplay. Não é yaoi, é só um menino que gosta de se vestir de menina.

Equipe Aficcionada: Bom, acho que já te enchi bastante com perguntas sobre tudo um pouco.
Dana Guedes: Que nada. Na verdade, nem sei se respondi algo que vai prestar.
Equipe Aficcionada: Muito obrigada por ter cedido tempo para a entrevista e por ter autografado todos os meus livros.
Dana Guedes: Que nada, foi o maior prazer e eu espero que sim!
Equipe Aficcionada: Acho que você não vai parar só nesses.
Dana Guedes: Não, claro que não. Tenho outros projetos na cabeça, já encaminhados.
Equipe Aficcionada: Quando tiver uma próxima Bienal ou se você retornar ao RJ fora de algum evento, avisa que a gente volta!
Dana Guedes: Avisarei, pode deixar.
Equipe Aficcionada: Então, novamente obrigada, até a próxima e boa sorte na sua jornada.
Dana Guedes: Obrigada, muito obrigada. E obrigada por ter comprado todos os livros.

Além dos três títulos Boys Love em formato light novel, ela também tem uma história na edição Boys Love: Sem Preconceitos, Sem Limites, sendo dona do primeiro conto do livro. Fora esse tema, Dana Guedes escreveu VaporPunkV.E.R.N.E. e O Farol de Dover e Novos Documentos de uma Pitoresca Época SteamPunk – e Homérica Pirataria – ambos também pela Editora Draco.

 

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Bye bye, minna! E até a próxima. ;*

Nikkie Vanzo

Gateira assumida, 26 anos. Otaku de berço e fujoshi desde os 17 anos. Apaixonada por animes, mangás e J-Music, frequentadora assídua de eventos. Ama RPG, dormir, rabiscar, dormir, ficar no pc, dormir, chocolate, dormir e... Dormir? Carioca da gema e louca para cursar fotografia, além de ter o sonho de trabalhar numa editora.

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  • Que entrevista show, adorei conhecer um pouco mais da Dana. Parabéns pela matéria!

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